
Todos os dias, no mesmo horário, no mesmo lugar e sempre do mesmo jeito. E quando algo saia do normal, quando ele não estava ali, tudo parecia não mais fazer sentido. Me perdia em perguntas que não cessavam na minha mente, será que ele nunca mais voltaria ? Quando ele estava ali novamente, era como se eu me restabelecesse depois de uma forte tempestade, como se o sol estivesse voltado depois de dias vazios e sem brilho.
Não sabia o seu nome, nem onde ele estava indo sempre que nos encontrávamos, mas o mistério presente no seu olhar cada dia mais intenso me fez querer me aproximar.
E isso já havia se tornado rotina, andava mais rápido pensando em encontrá-lo, chegava mais tarde em casa apenas pra seguir seus passos, queria dizer que tudo aquilo tinha virando minha mania e eu já queria que fosse mais que um pequeno vício.
Seu jeito de menino, tênis, boné e moletom, o cabelo de lado sempre do mesmo jeito fofo, a maneira de andar e o modo como fazia parecer que estava distante, com pensamentos longe. Eu o fitava e desenhava imagens na minha mente enquanto pensava no quanto eu o queria por perto, como gostaria de encontrá-lo todos os dias, conhecê-lo, saber seu nome e ouvir sua voz.
E enquanto não puder, eu me contento segui-lo todos os dias e olhar no fundo dos seus olhos cada vez que ele olha pra trás, tentando desvendar seu mistério e o segredo que ele carrega no seu jeito que fez querer me aproximar. Andando apressadamente tendo esconder o sorriso e não me distrair ainda mais enquanto tento desvendar você, querido garoto misterioso.
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