
Andar pelo corredor da escola passou a não ser mais a mesma coisa e cada vez que aquela música tocava era como se eu estivesse revivendo aquele momento e estando novamente sob aquele olhar que me marcou e que eu projetava na minha mente quase o tempo todo, era inevitável.
O que poderia ser isso? Mesmo sem sequer saber seu nome eu não conseguia esquecê-lo, não deixava de pensar naquele rosto de traços perfeitos. Uma fração de segundos era como anos pra mim, como se eu o conhecesse bem, muito bem. Pelo menos fisicamente.
Mas a verdade é que eu não fazia idéia de quem ele era, o que se passou em sua cabeça e, talvez, a visão que ele teve - se é que teve - sobre a primeira vez que nos vimos.
Parei diante do quadro de avisos e passei o olhar rapidamente sobre todos os cartazes, panfletos, bilhetes e afins. Apenas um chamou minha atenção. Era um papel azul exageradamente decorado e com os dizeres: Festa à fantasia - Ensino Médio. ' Coloque sua máscara e deixe de ser você por uma noite.'
A idéia que se seguia era tentadora, me fez sorrir maliciosamente. Por um momento!
Logo abandonei meus pensamentos e a vontade de ir pra essa tal festa. Que graça poderia ter?
Tentando achar uma boa resposta eu me distrai. Em segundos todos os meus papéis estavam no chão. Eu só pensava em me virar e xingar o responsável por aquilo. "Que droga, porque não olha por onde anda?"Decidida a não só pensar mas DIZER eu me virei bruscamente tentando achar o culpado, mas ao vê-lo me senti sem chão, sem palavras... o silêncio foi tudo o que eu consegui encontrar, meu estômago se contraiu e aquele frio na barriga familiar estava novamente ali, preso dentro de mim.
- V- Você?... é... quero dizer... oi! - Uau, eu tinha o dom de gaguejar, ficar com cara de boba e ser patética ao mesmo tempo! Que ótimo.
Sua resposta foi apenas um meio sorriso torto e um desvio de olhar.
Eu contava os segundos em silêncio, até que ele passou a se tornar constrangedor.
- Acho que é novo aqui, certo? - Não sei da onde consegui tirar palavras, folêgo e voz, mas quando dei por mim as palavras já tinham corrido da minha boca.
Ele apenas assentiu dando de ombros. Definitivamente, ele não estava afim de falar... não comigo! O que havia de errado? droga, droga, droga, dr...
- Você vai nessa festa que todos estão comentando? - Era inacreditável, eu estava ouvindo sua voz pela primeira vez. Tive a certeza de que meus olhos adquiriram um brilho anormal naquele momento.
Eu deveria dizer que não, certo?
- Talvez. - Eu disse soando confusa - E você?
- É, eu vou. Acho que pode ser legal!
Pensando bem... até que podia MESMO ser legal. Eu já voltava a me imaginar com uma máscara "deixando de ser eu mesma por uma noite."
Seu olhar confuso me lembrou que eu deveria dizer alguma coisa.
- Pode mesmo ser legal! Nos encontramos por lá então.
Eu me virei com os papéis novamente nas mãos dando um sorriso torto e olhando rapidamente no fundo dos seus olhos antes de sair.
Pode até ser nos filmes, mas será que na vida real existe uma segunda vez?
Bom, na minha parece que existe...
2 comentários:
Amei amiga, amei demais! Minha futura poeta. ♥
oun, muito obrigada meu amor!
ah, quem me dera...
mas quem sabe um dia eu realmente seja a sua poeta, não é ? s2
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